15 de julho de 2010

Liga ou Desliga?

AVISO: Não sou apocalíptica, porém a televisão anda me irritando!


Assistir à TV aberta virou uma das coisas mais deprimentes que tenho feito nos últimos dias. E nem vou fazer crítica à programação, e sim ao conteúdo veiculado nela.
Os jornais alimentam-se de casos que viram verdadeiras novelas, cheio de personagens, enredo, vilões, mocinhos, quadrilhas. E mesmo sem informações novas (ou diria capítulos?), matérias são veiculadas sobre aquele caso, consumindo o tempo do noticiário pela busca voraz por audiência. Se você resolve usar o controle-remoto e pular para outro noticiário, vem mais algum caso, alguma coletiva, e falta de informação.

Faço jornalismo, recrimino o uso da mídia para alimentar notícias em busca de audiência, mas acredito que a fôrma está dando certo para a massa. Afinal, está dando audiência. Se nós desligássemos a TV toda vez que nos irritamos com um programa, um conteúdo, talvez os produtores começassem a pensar em uma nova receita.

Por exemplo, a novela das oito, Passione, cada dia mais morna, mais sem graça. Mesmo com a curiosidade de saber qual é o tal segredo do Gerson, eu tenho me negado a assistir, prefiro fazer um chá, ler um livro, jogar na internet ou até mesmo dormir. Silvio de Abreu percebeu a pouca audiência da novela e tem arrastado o tal problema de Gerson. Em uma entrevista dele ao UOL, Silvio afirmou que continuará com o suspense até o último dia da novela. Pensando nisso, eu já abri mão. Nada me interessa naquela novela, mais uma família italiana, mais um enredo girando em torno de um filho bastardo... acho que estou farta do mais do mesmo. A fôrma para mim já estragou todo o bolo!

Outro exemplo, no final de semana passado foi veiculada uma matéria no Domingo Espetacular de um caso de estupro de uma menina de 13 anos. O caso só foi alimentado com grande força porque a menina foi estuprada por dois menores, um é filho de um delegado e o outro, filho de um dos sócios da RBS - uma filial da Globo em Santa Catarina. Precisa falar mais alguma coisa? A velha briga da Record e da Globo. A Record querendo esfregar na cara de seus telespectadores que a Globo não noticiou o caso, pois envolve o nome da emissora. Só que fica óbvio que a Record só está transmitindo esta notícia, não pelo seu compromisso com a verdade factual e a informação, e sim para atacar a Globo.

E por último, o exemplo mais deprimente, é aquele Programa Pânico que se julga humorístico, mas que usa de humilhações e falta de respeito para conseguir audiência. Aquela Mulher Arroto me irrita. Se fazendo de jornalista, ela tenta entrevistar alguém para arrotar na cara da pessoa. Depois a profissão de jornalista ficou banalizada, não sabemos o por quê. Tv Fama, Pânico, Super Pop e outros programas com este mesmo tipo de repórteres e conteúdo já dão bons motivos para pensarmos.

Sei que abri mão da televisão aberta. Enquanto a fôrma continuar assim, prefiro desligar a me irritar.

Um comentário:

  1. A TV aberta segue ladeira abaixo. Se os índices de audiência de novelas das 20h tempo atrás era de 50 pontos, hoje não passa de 35. No entanto, isso é Globo! Não mudará, pois a concorrência é burra! Se nós pensamos assim, os executivos também deveriam pensar. É preciso que programas diferenciados sejam incentivados. Apostar em conteúdo americano faz parte, contanto que a obra sofra as adaptações necessárias para ser veiculado aqui.

    Algo que também me irrita é o fato de que programas bons, na TV aberta, tendem e ficar ruins com o tempo. É como se fossem corrompidos. É o caso do CQC. Não está ruim, mas na minha opinião já foi bem melhor....talvez porque era novidade, enfim.

    Parabéns pelo blog!

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